terça-feira, 18 de maio de 2010

Eu estava lá!

Pilatos, Caifás e Judas — a quem os evangelistas apõem culpa maior pela crucificação de Jesus, e seus associados: os sacerdotes, o povo e os soldados. Acerca de cada pessoa ou grupo usa-se o mesmo verbo: paradidomi, traduzido por "entregar" ou "trair". Jesus havia predito que seria entregue nas mãos dos homens, ou "entregue para ser crucificado". E os evangelistas, ao contarem sua história, demonstram que a predição de Jesus foi verdadeira. Primeiro, Judas o entregou aos sacerdotes (por causa da ganância). A seguir, os sacerdotes o entregaram a Pilatos (por causa da inveja). Então Pilatos o entregou aos soldados (por causa da covardia), e eles o crucificaram.

Nossa reação instintiva a esse mal acumulado é dar eco à pergunta espantada de Pilatos, quando a multidão gritou pedindo o sangue de Jesus: "Que mal fez ele?" (Mateus 27:23). Pilatos, porém, não recebeu uma resposta lógica. A multidão histérica clamava cada vez mais alto: "Crucifica-o! Crucifica-o!" Mas por quê?


É natural encontrarmos desculpas para eles, pois vemos a nós mes¬mos neles e gostaríamos de ser capazes de nos desculparmos. Deveras, havia algumas circunstâncias mitigantes. Como o próprio Jesus disse ao orar pelo perdão dos soldados que o estavam crucificando: "pois não sabem o que fazem". Da mesma forma, Pedro disse a uma multidão de judeus em Jerusalém: "Eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades." Paulo acrescentou que, se "os poderosos deste século" tivessem compreendido, "jamais te¬riam crucificado o Senhor da glória."

Contudo, sabiam o suficiente para ser culpados, aceitar o fato de sua culpa e ser condenados por suas ações. Não estavam eles reivindicando responsabilidade total quando clamaram: "Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos"? Pedro falou com toda a franqueza no dia de Pentecoste: "Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo." Além do mais, longe de discordar do seu veredicto, o coração dos ouvintes de Pedro se compungiu e perguntaram o que deviam fazer (Atos 2:36,37). Estêvão foi ainda mais direto em seu discurso ao Sinédrio, o qual o levou ao martírio. Chamou o Concilio de "homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como o fizeram vossos pais também vós o fazeis." Pois seus pais haviam perseguido os profetas e matado aqueles que predisseram a vinda do Messias, e agora tinham traído e assassinado o próprio Messias (Atos 7:51-52). Paulo, mais tarde, usou linguagem parecida ao escrever aos tessalonicenses acerca da oposição judaica do seu tempo ao evangelho: eles "mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram". Por estarem tentando conservar os gentios afastados da salvação, o juízo viria sobre eles (1 Tessalonicenses 2:14-16).

Culpar o povo judeu pela crucificação de Jesus hoje é extremamente fora de moda. Deveras, se a crucificação for usada como uma desculpa para matá-los e persegui-los (como aconteceu no passado), ou para propagar o anti-semitismo, é absolutamente indefensável. O modo de evitar o preconceito anti-semítico, contudo, não é fingir que os judeus são inocentes, mas, tendo admitido a sua culpa, acrescentar que outros partilharam dela. É assim que os apóstolos viram a situação. Herodes e Pilatos, gentios e judeus, disseram eles, tinham juntos "conspirado" contra Jesus (Atos 4:27). Mais importante ainda, nós mesmos também somos culpados. Se estivéssemos no lugar deles, teríamos feito exatamente o que fizeram. Deveras, nós o fizemos. Pois sempre que nos desviamos de Cristo, estamos "crucificando" para nós mesmos o Filho de Deus, e o "expondo à ignomínia" (Hebreus 6:6). Nós também sacrificamos Jesus à nossa ganância como Judas, à nossa inveja como os sacerdotes, à nossa ambição como Pilatos. "Estavas lá quando crucificaram o meu Senhor?" pergunta o cântico espiritual. E devemos responder: "Sim, eu estava lá." Não apenas como espectadores, mas também como participantes, participantes culpa¬dos, tramando, traindo, pechinchando e entregando-o para ser crucificado. Como Pilatos, podemos tentar tirar de nossas mãos a responsabilidade por meio da água. Mas nossa tentativa será tão fútil quanto foi a dele. Pois há sangue em nossas mãos. Antes que possamos começar a ver a cruz como algo feito para nós (que nos leva à fé e à adoração), temos de vê-la como algo feito por nós (que nos leva ao arrependimento). Deveras, "somente o homem que está preparado para aceitar sua parcela de culpa da cruz", escreve Canon Peter Green, "pode reivindicar parte na sua graça".23

A resposta que até agora demos à pergunta: "Por que Cristo morreu"? procurou refletir o modo pelo qual os escritores do evangelho contam a sua história. Eles indicam a corrente de responsabilidade (de Judas aos sacerdotes, dos sacerdotes a Pilatos, de Pilatos aos soldados), e, pelo menos, sugerem que a ganância, a inveja e o temor, os quais instigaram o comportamento dos envolvidos, também instigam o nosso. Contudo, esse não é o relato final dos evangelistas. Omiti uma evidência vital que eles apresentam. É esta: embora Jesus tivesse sido levado à morte pelos pecados humanos, ele não morreu como mártir. Pelo contrário, ele foi à cruz espontaneamente, até mesmo deliberadamente. Desde o começo do seu ministério público, ele se consagrou a esse destino.

No seu batismo, ele se identificou com os pecadores (como mais tarde o faria por completo sobre a cruz), e em sua tentação ele se recusou a desviar-se do caminho da cruz. Ele predisse muitas vezes os seus sofrimentos e morte, como vimos no capítulo anterior, e, decididamente, partiu para Jerusalém a fim de morrer aí. O uso cons¬tante que ele faz da palavra "deve" em relação à sua morte expressa não uma compulsão exterior, mas sua resolução interior de cumprir o que a seu respeito havia sido escrito. "O Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas", disse ele. Então, deixando de lado a metáfora, "eu dou a minha vida. . . Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou" (João 10:11, 17,18).

Além disso, quando os apóstolos resolveram escrever acerca da natureza voluntária da morte de Jesus, usaram várias vezes o mesmo verbo (paradidomi) o qual os evangelistas empregaram com relação ao ser ele entregue à morte por outros. Assim, Paulo pôde escrever que o "Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou (paradontos) por mim".24 A afirmação do apóstolo talvez tenha sido um eco de Isaías 53:12, que diz que ele "derramou (pareáothe) a sua alma na morte". Paulo também usou o mesmo verbo ao olhar para a auto-entrega voluntária do Filho à entrega do Pai. Por exemplo, "aquele que não poupou ao seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou (paredoken), porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?" Octavius Winslow resumiu o assunto com uma bela afirmativa: "Quem entregou Jesus para morrer? Não foi Judas, por dinheiro; não foi Pilatos, por temor; não foram os judeus, por inveja — mas o Pai, por amor!"

É essencial que conservemos juntos estes dois modos complementares de olhar para a cruz. No nível humano, Judas o entregou aos sacerdotes, os quais o entregaram a Pilatos, que o entregou aos soldados, os quais o crucificaram. Mas, no nível divino, o Pai o entregou, e ele se entregou a si mesmo para morrer por nós. A medida que encaramos a cruz, pois, podemos dizer a nós mesmos: "Eu o matei, meus pecados o enviaram à cruz"; e: "ele se matou, seu amor o levou à cruz". O apóstolo Pedro uniu as duas verdades em sua admirável afirmativa do dia de Pentecoste: "Sendo este entregue pelo deter¬minado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mão de iníquos." Assim, Pedro atribuiu a morte de Jesus simultaneamente ao plano de Deus e à maldade dos homens. Pois a cruz, que é uma exposição da maldade humana, como temos considerado em particular neste capítulo, é ao mesmo tempo a revelação do propósito divino de vencer a maldade humana assim exposta.

Voltoà pergunta com a qual o comecei: por que Jesus Cristo morreu? Minha primeira resposta foi que ele não morreu; ele foi morto. Agora, porém, devo equilibrar essa resposta com o seu oposto. Ele não foi morto, ele morreu, entregando-se voluntariamente para fazer a vontade do Pai.

A fim de discernir o que era a vontade do Pai, temos de examinar novamente os mesmos eventos, desta vez olhando abaixo da superfície.
Jonh Stot

domingo, 16 de maio de 2010

Pescadores de homens

"Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." (Mateus 4.19)

Existem pescadores de todos os tipos. Existem aqueles que pescam peixes. Outros preferem ir atrás de siris. Outros, ainda, atrás de lulas. Mas diferentemente de qualquer um desses pescadores, existem ainda outros, que não pescam animais marinhos, mas seres humanos!

Jesus, quando foi chamar Seus apóstolos para o trabalho, disse uma coisa que parece estranha a muita gente: "vos farei pescadores de homens". Como alguém pode pescar homens? Jesus disse isso simbolicamente. Só os cristãos podem pescar homens e isso não com varas de pescar, mas com o evangelho de Jesus Cristo. Não com o objetivo de levá-los para casa, para servirem de alimento como os peixes, mas com o objetivo de levá-los para a eternidade com Cristo.

Isso não é um pedido, mas uma ordem! Jesus não disse isso dando aos cristãos a livre escolha para dizerem "não", mas esperando obrigatoriamente um "sim"! Esse chamado não se limita apenas a um grupo de indivíduos em particular, mas se estende a todos os filhos de Deus que "nasceram de novo", sendo agora servos fiéis ao Altíssimo.

Por isso, não fique esperando que alguém pesque almas em seu lugar, mas vá você mesmo e seja um pescador de homens! Pegue sua vara de pescar (a Bíblia) e vá para esse grande mar (o mundo) em busca de pesca (os seres humanos), a fim de levá-la junto com você para sua casa (a Jerusalém Celestial.
André Aloisio

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Somos uma igreja discipuladora

O que é discipulado? Para responder esta questão precisamos partir do modelo apresentado por Jesus, que é o mestre dos mestres. O nosso redentor teve um ministério onde ensinou multidões, mas concentrou a sua mensagem no treinamento de seus discípulos, formando a base do seu ministério. John Sittema descreve o que O Senhor Jesus fez, ou seja, discipular é “reproduzir a si mesmo e sua fé na vida de outros.” Por isso, devemos perguntar quem precisa ser discipulado? É o apóstolo Paulo que nos responde:“e o que da minha parte ouviste através de muitas testemunhas isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2 Tm 2:2). Em nossa igreja decidimos que aqueles que assumiram um compromisso com Cristo, os novos na fé, os filhos de membros que desejam ser membros, pessoas que vieram de outras igrejas, ou irmãos que precisam de treinamento para acelerar o seu crescimento doutrinário são candidatos ao discipulado. O discipulado é uma segura porta de entrada!

Qual a importância do discipulado? O Senhor Jesus disse: “indo, portanto, fazei discípulos... ensinando-os a guardar tudo o que vos tenho ordenado.” (Mt 28:19-20). Com o discipulado temos um rico recurso de conhecer a Deus por meio de Jesus, e glorifica-lo num relacionamento construtivo como Igreja. Nesse relacionamento construtivo o alvo é preparar discípulos para um envolvimento nos ministérios e departamentos da igreja, proporcionando um fortalecimento qualitativo, que resultará naturalmente na multiplicação de outros discípulos sadios na fé. Novamente podemos citar Sittema observando que “esse processo requer o desenvolvimento de um relacionamento de confiança, de exemplo, de revelação do nosso coração e da nossa fé ao discípulo que, por sua vez deve imitar o padrão de fé do seu mestre.” Evidentemente não podemos confundir, porque o Senhor Jesus exige que façamos discípulos dele e não nossos.

O propósito do discipulado é um só, todavia, ele é como uma corda trançada de vários fios. Podemos mencionar os elementos que somam ao principal motivo. Primeiro, ao aplicar o discipulado apresentamos o evangelho da salvação aos eleitos de Deus proporcionando a oportunidade para que o Espírito Santo aplique a graça irresistível. Evangelizar é compartilhar Jesus, no poder do Espírito, deixando os resultados para Deus, visando a reeducação para uma vida transformada. Segundo, através do discipulado preciosas vidas são libertas das trevas e do poder de Satanás para luz do reino do Filho de Deus. Terceiro, com o discipulado a igreja cresce espiritual e numericamente, por isso, Paulo disse que o discipulado deve ser feito “... com vistas ao aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4:12). E, por último, pelo discipulado ensinamos as pessoas a reconhecer a soberania de Cristo sobre todas as esferas da vida humana, inclusive na ciência, na arte, na educação, na economia, na política e na recreação. Lembrando que o propósito essencial que envolve todos os demais é a glória de Deus. O profeta Oséias disse “conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva serôdia que rega a terra” (Os 6:3, ARA)
Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA



(Lucas, Abraão, Jakeline, Emile, Letícia, Larissa, Évile, Matheus, Felipe, Vinícius)

Essa foi a programação apresentada pelas crianças da Congregação Presbiteriana de Cajazeiras. A Profª Gerusia foi a responsável pelo ensaio de toda essa programação. A Apresentação ocorreu dia 04 de Abril após o culto solene. Contou toda história da páscoa desde a saída do Egito até Cristo.

MORRE AOS 90 ANOS MAIS UM FILHO ILUSTRE DE POMBAL

"HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO..." Hebreus 11.38a

Muitos são os filhos do sertão da Paraíba que estão envolvidos com a causa do Senhor. São pastores, missionários, presbíteros e diáconos que estão nesse imenso Brasil e até fora dele servindo ao bom mestre. Alguns são conhecidos, mas, outros não, estão no anonimato. Suas igrejas em terra natal se quer sabem que estes estão tão envolvidos com a obra. Abaixo segue na integrar o relato que encontrei no Boletim da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, de um desses filhos ilustres do sertão da Paraíba que muito serviu na seara do Senhor, um verdadeiro plantador de igrejas exemplo na evangelização, pois, numa época muito mais difícil do que a nossa plantou 22 Igrejas Presbiterianas pelo Brasil. Partiu para glória no dia 18 de abril de 2010 deixando muitas saudades e uma vida a ser imitada.

MOMENTO DE SAUDADE E DE GRATIDÃO A DEUS PELA VIDA E MINISTÉRIO DO REV. PROF. JOSÉ AFONSO FERREIRA 90 ANOS

Um homem de Deus, da família e da pátria. Nascido em Pombal na Paraíba em 18 de Agosto de 1919. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife, "Magna cum laude". Especialização em linguas neo-latinas, hebráico e grego. plantou 22 Igrejas, em 50 anos de Ministério. Escreveu 4 livros e um Compêndio de Sermões. Faleceu no dia 18 de abril de 2010, deixando um exemplo de integridade, conhecimento bíblico e dedicação à obra de Deus. foi professor no Seminário do rio de Janeiro, Presidente do Presbitério Rio Norte, Técnico em Educação e Supervisor de Ensino no Estado do rio de Janeiro. Pastoreou as seguintes igrejas: Volta Redonda, Resende, Olaria, Bangu e Ramos. Todas da IPB. Família: esposa, professora e missionária Maria José Ferreira; filhos: Dra Nadja Ferreira- médica; Dr Ithiel Ferreira-Advogado; Dr José Afonso ferreira Jr. - Engenheiro; Dr Marcos Ferreira - médico; Clívia Ferreira Farias - Administradora de Empresas; e paulo Ferreira - Engenheiro. Netos: 14 "Família bendita do Senhor". No culto das 10h15min, a família estraá no altar de Deus em oração.
Boletim dominical Nº 3384 25 de Abril de 2010. Catedral presbiteriana do rio de Janeiro.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Fé e Ação

No dia 21 de Abril as igrejas Presbiteriana e Batista estiveram juntas no bairro mais pobre da cidade de Sousa-PB, somando forças por um bem comum, a assistência social e espiritual a dezenas de famílias do bairro Nossa Senhora de Fátima mais conhecido como “Cagote do Urubu”. Este trabalho foi coordenado pelo projeto “Fé e Ação” uma obra não interdenominacional idealizada pelo Presb Francisco Medeiros e outros irmãos.

A programação foi a seguinte:

Atividades para as crianças: Na Escola Municipal Otacílio Gomes de Sá, a partir das 08:00 foram realizadas diversas brincadeiras com distribuição de; balas, pipocas, filmes e lanches.

Serviços Oferecidos:

Saúde: Exame de glicose, orientações, distribuição de amterial educativo, vacinação (hepatite, gripe H1N1, e tétano), curativos e consultas para crianças.

Advocacia: Orientações dos mais diversos tipos de processos ( previdenciário, eleitoral, criminal e etc.)

Estética: cortes de cabelos e unhas.

Cursos e Treinamentos: Curso artesanato

Fotos 3x4 para documentos

Bazar: roupas, sandálias e uma diversidade de coisas a preço muito baixo.

O Desejo de Evangelizar

Dia 21 de Abril conheci o Sr João Lopes Caminha, residente na cidade de Sousa e membro da IPBS. Sr João hoje com 83 anos de idade foi convertido a Cristo em 01 de Janeiro de 1965. Morava na cidade de São Domingos de Pombal, na época um distrito de Pombal, onde exercia a atividade de comerciante. Sr João disse que o primeiro pregador protestante que ele ouviu foi o Pastor Gérson Barbosa, que percorria os sertões da Paraíba em trabalhos de avivamento e evangelização. Mas, foi no dia 01 de Janeiro de 1965 na Igreja Presbiteriana de Betel ao ouvir um dos sermões do Rev. Jonatas Barros (in memoriam) que o irmão foi convertido ao Senhor.


Betel Zona Rural
Com sua vida impactada pelo poder do evangelho, de imediato surgiu no seu coração o desejo de evangelizar os moradores de São Domingos. O mesmo sentimento dos apóstolos estava em seu coração “pois, nós não podemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos" (Atos 4.20). Como quem de fato recebeu o evangelho como as "Boas Novas de Salvação" ele queria transmiti-la aos seus. Desse modo Sr João pediu autorização ao Conselho da Igreja Presbiteriana de Betel que distava à 5 km de São Domingos para implantar uma congregação naquela localidade. Como naquela época havia muita oposição a pregação da palavra, poucos acreditaram que esse desejo do irmão fosse lograr êxito. Todavia, o contrário se deu, a congregação foi implantada e depois um prédio foi edificado pelo próprio irmão. A Congregação Presbiteriana em São Domingos chegou a ter um Escola Dominical com 65 matriculados. Muitas pessoas passaram por lá, algumas simplesmente ouviram as boas novas, mas, outras foram transformadas pelo seu poder.

Em 1977 João caminha foi tornou-se diácono da Igreja Presbiteriana de Betel. Depois de encerrdas suas atividades como comerciante, Sr João fixou residência na cidade de Sousa onde ainda convive com sua esposa com quem teve dez abençoados filhos. É membro da Igreja Presbiteriana de Sousa.

A Congregação Presbiteriana de São Domingos é uma construção simples, mas, bem localizada. É impossível chegar em São Domingos e não avistá-la, já que a mesma encontra-se na praça central da cidade. Ainda é congregação de Betel, mas, em relação à esta que se encontra na zona rural, a congregação caminha aos poucos assumindo seu papel como futura Igreja Presbiteriana de São Domingos de Pombal.

São Domingos
Aprendemos com isso, a doutrina do sacerdócio universal ensinada pelos reformadores, ou seja, cada crente é um sacerdote, portanto, responsável por anunciar as boas novas da salvação em Cristo: " Vós, porém sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, afim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz" ( I Pedro 2.9). Isso, também nos ensina que nem sempre devemos esperar, que a iniciativa de evangelizar parta da liderança. Embora, não devamos deixar de contar com o seu apoio. Muitas vezes, irmãos são usados para levar esta iniciativa a liderança da igreja. A experiência da igreja primitiva quando da primeira perseguição foi que os próprios crentes que se espalharam iam anunciando a palavra de Deus: "Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra" ( Atos 8.4). Após alcançarem novos irmãos, a igreja envia os apóstolos para doutrinarem e batizarem os novos convertidos: “ Ouvindo, os apóstolos de Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João” ( Atos 8.14).
Muitas igrejas surgiram assim, através de irmãos e irmãs muitas das vezes anônimos que se dispuseram a falar de Jesus. Isso é muito simples! Que você possa anunciar aos seus, em sua casa, em sua rua, bairro ou cidade aquilo que o Senhor fez por você. Medite nas palavras de Jesus: "Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti" (Marcos 5.19b).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Atos 20.17 Presbíteros, Bispos ou Pastores?


A tese deste livro é: "Presbíteros são pastores"
Presbiteros são pastores, não administradores. Sua função é cuidar do rebanho do Bom Pastor, não simplesmente "Adminsitrar negócios" de uma instituição corporativa.
Vejamos o que dizem as Escrituras em atos 20.17-38. Nessa passagem encontramos as conhecidas palavras palavras de despedia de Paulos aos presbiteros de Éfeso, que havia para dar as últimas instruções (13ss) Nesse texto importante, Paulo emprega diversas palavras para descrever os homens aos quais ele se dirigee:
No versículo 17 refere-se a els como "presbíteros" (usando a palavra grega "presbyteros", de onde vem a palavra em português "presbítero" e "presbiteriano").
No versículo 28 ele os chama de "bispos" (da palavra grega "episcopos"; radical do termo "episccopal", em português, "bispo")
Ainda no versículo 28 ele os chama de "pastores" ( a palavra grega é "poimein", termo usado para o "pastor de ovelhas" ou "quem cuida do rebanho" )
A que estamos nos referindo com esses versículos? Devemos falar de presbíteros, bispos ou pastores, ou devemos falar de presbíteros, bispos e pastores? Poderíamos fazer várias observações interessantes sobre essa questão. Por exemplo, podemos observar que sistemas eclesiásticos denominacionais inteiros surgiram de acordo com o termo que escolheram enfatizar ao ler esse capítulo. A ênfase na palavra "episcopos" levou à criação do sitemas episcopal de governo da igreja, onde, no lugar dos presbíteros, a autoridade encontra-se nas mãos de uma hierarquia de bispos que governam a igreja. O mesmo acontece com a ênfase em "presbyteros", que o levou ao tipo de governo que chamamos presbiteriano ( literalmente "governo de presbíteros"). E, ao se colocar esses dois termos de lado em favor de uma enfase na palavra "pastor", tem-se uma forma benigna de ditadura na qual o pastor local é o único a exercer o ministério pastoral.
Indo além dessas observações, o mais importante é verfificar de que forma essas palavras bíblicas relacionam-se entre si. Leia a passagens com atenção. o cargo ( comissão, designação com autoridade) é de presbítero (17). De modo simples, porém significativo, a passagem chama essses homens de "presbíteros da igreja". Num trecho anterior, em Atos 14.23, o texto diz que Paulo e Barnabé promoveram "em cada igreja , a eleição de presbíteros ( ver também Tito 1.5). A questão é muito clara; os apóstolos e os membros da igreja primitiva viam a esses homens como "presbíteros". O trabalho ou a tarefa refrente ao cargo desses presbíteros encontra-se descrito no versículo 28, como sendo de "supervisionar" a si mesmos e o rebanho ( episcopos do grego "epi", que significa "em" ou "sobre", junto com "scopos" que se refere à "visão" ou vista, como em "microscópio" que significa "visão do pequeno").
Finalmente, o espirito, o cara´ter, ou se preferir, o coração, como o qual os presbíteros devem realizar o trabalho de supervisão é o de "pastor" ("aquele que cuida do rebanho")
O que podemos concluir com isso? Os presbíteros que supervisionam o rebanho são pastores da Igreja! A igreja do Senhor é um rebanho que enfrenta lobos voarazes ansiosos por estraçalhar as ovelhas e devorar os cordeiros com suas presas da falsa doutrina e do estilo de vida mundano (Atos 20.29,30). O cuidado desse rebanho requer uma supervisão diligente e uma vigilância atenta. No entanto, a supervisão e vigilância atribuidas aos presbíteros da igreja é uma perda de tempo se naõ nasce de um cuidado genuíno e sincero pelo rebanho. O cuidado pastoral - pastoreio não se contenta em simplismente administrar os recursos do rebanho. Antes, requer um interesse autêntico e amor. No cuidado pastoral o presbítero deve envolver-se de corpo e alma na busac pelo bem estar de cada indivíduo do rebanho. É uma tarefa que vem do coração - o coração de um pastor, que é bem diferente do espirito relutante e acanhado de um funcionário contratado (João 10.11-13).
Contudo, o que vemos em nossas igrejas hoje em dia são administradores. O pastor principal aparece como um alto executivo (presidente) que "vende a visão"; os diáconos exercem (normalemnte por meio de uma comissão) a função da GAF ( Gereência Administrativa Financeira); e dentro desse modelo moderno de uma igreja corporativa ou empresarial, os presbiteros se transformam no Conselho Diretivo.
Cabe a eles a responsabilidade administrativa de dar rumo para a vida da corporação. Assim, ecomendam ou desenvolvem um "plano de marketing" para crescimento da igreja e prestam contas ao presidente, mantendo-o informado da implementação e sucesso do plano de crescimento. Supervisionam e dirigem de modo profissional os programas de captação de recursos para orçamentos operacionais ou de construção. delegam toda e qualquer responsabilidade pastoral aos profissionais trainados para lidar com tais contigências.
Todos os verdadeiros seguidores de Cristo concordam que a igreja deve pregar e ensinar a Palvra de Deus para, desse modo, evangelizar as nações, trazê-las para o corpo de fiéis pelo batismo, através do arrependeimento, conversão e fé e pelo discipulado para uma vida cristã disciplinada. essa é a ordem da Grande Comissão em Mateus 28. Ao procurar cumprir a Grande Comissão numa era de rápidas transformações como a nossa, a igreja se depara com novas idéias e adota algumas delas. E nem todas essas idéias são ruins. Apesar das criticas que faço ao modelo empresarial corporativo, muitas vezes ele nasce do desejo de usar com eficiência os recursos da igreja e de uma abordagem otimista e determinada a alcançar os objetivos bíblicos do corpo de Cristo. Quer seja eficient ou não, voltada para os objetivos ou não, essa abordagem tem um alto preço, que é a transferência dos seus "pastores" ao novo departamento "administrativo". E o rebanho sofre com isso.

Do livro: Coração de Pastor de John Sittema

domingo, 11 de abril de 2010

Filha da IPB de Pombal faz Missões no Norte do Brasil


Porto Velho, 11 de abril de 2010.

Queridos (as)!

Peço a Deus que regue as suas vidas com a graça salvadora de Jesus Cristo, hoje e sempre.
Mais um mês inicia-se para todos nós. Por esta razão estamos aqui fazendo as nossas considerações aos parceiros e amigos desse ministério.

Dia 10 foi a formatura dos formandos em estudos bíblicos. Tivemos uma linda e calorosa celebração ao nosso Deus que, com muito amor nos regou a cada passo que tomávamos durante as pesquisas e observações feitas nos 66 livros lidos, em um período de três meses entre os quais estudamos com mais intensidade 25 deles. Agora podemos dizer com convicção sobre quem é Deus em soberania, poder e graça.

Também dia cinco deste mês, iniciou o curso em diagnóstico de malaria. Estamos com uma turma de dez pessoas de diferentes estados.

Mês passado tivemos uma visita de duas jovens senhoras da aldeia que trabalhamos, elas vieram resolver questões de pensão maternidade. Foi bom tê-las em nossa casa.

A correria para a próxima escola já começou.Estou trabalhando nos planejamentos das aulas para o curso da bíblia indígena que se inicia dia 19 de Abril.

Estamos orando pra que em junho e julho a gente possa ir a aldeia passar com a comunidade o período de férias da escola das nossas filhas. Porque apesar de estarmos trabalhando com outros grupos indígenas na nossa base de apóio não devemos esquecer do grupo Parintintin.

Quero mais uma vez dizer com confiança, até aqui tem nos abençoado o Senhor. E para não faltar com os amigos, deixamos aqui as nossas notícias deste mês.

Os pedidos de oração que fazemos são:
De agradecimento pela vitória de mais uma etapa vencida, pelos recursos financeiros, as viagens de junho e julho para a aldeia e para que Deus nos ilumine com novas histórias que iremos contar nos momentos de estudos da bíblia junto à comunidade.
E para que siga bem a nossa saúde e segurança.
Abraço de Jorge e Leninha Jakeline e Gabriele.

sábado, 10 de abril de 2010

Grande Culto Festivo de Aniversário da Igreja Presbiteriana e da SAF de Patos - PB


Liderança da Igreja


Pastor Lídio Pregando

A igreja presbiteriana de Patos estará louvando a Deus em culto em Ação de Graças pelos seus 41 anos de reorganização. A Igreja Presbiteriana de Patos tem uma história muito bonita, sua fundação foi na década de 40 mas, em 1958 foi totalmente queimada por o conta das perseguições religiosas. Numa época de muito atangonismo religioso, por ocasião das chamadas santas missões comandadas pelo Frei Damião, a IPB teve seu templo completamente destruido pelo fogo. Os irmãos resitiram firmes na fé e hoje, na cidade Patos essa perseverança já gerou mais uma igreja e duas congregações.

Na oportunidade o preletor será o Rev. José Romeu da cidade de Natal-RN com a participação da cantora Edenia Moraes de João Pessoa.
Também estará em festa a SAF da igreja. A data festiva será 24 e 25 de abril de 2010, no templo da referida igreja que se localiza à Rua Irineu Joffily nº 116 bairro Santo Antonio.
Participe!
Presb. Jeroan Sousa Gomes celular 8814 - 7368 email jeroan@cstr.ufcg.edu.br

Primeiro Encontro de UHPs do POPB



No dia 01 de maio de 2010 a federação de homens do POPB estará realizando o seu primeiro encontro de homens presbiterinos. O encontro será realizado na Congregação de Presbiteriana de Casinha do Homem. O preletor será o Rev. lídio Osório dos Santos Júnior, pastor da Primeira IPB de Patos. A programação constará de evangelização pela manhã terminando com um culto a noite. Será um dia de confraternização e evangelização para toda comunidade presbiteriana. Para participar busque informações junto ao srºpresidente da Federação o Diac. Francisco de Assis através do celular 9314 - 2176 ou por meio do Sr tesoureiro Presb. Josinaldo Martins Dantas pelo Celular 9982 - 9139. E o melhor de tudo, despesas grátis ou seja o irmão paga apenas a viagem. A alimentação e hospedagem por conta da Federação de Homens. Faça a sua caravana e participe!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

FÉ E AÇÃO




No último dia 25 de fevereiro às 18h30min na secretaria da Escola Presbiteriana 07 de Setembro, em reunião do Conselho da Igreja Presbiteriana de Sousa, foi ouvida a apresentação do Projeto Sócio Evangelístico Fé e Ação. Esse é um sonho que nasce no coração do irmão Presb. Franscico Medeiros que agora ganha forma com a parceria de diversos irmãos. Trata-se de um projeto voltado a atender o bairro Nossa Senhora de Fátima, mais conhecido como “Cangote do Urubu”. É um dos bairros mais carentes da cidade de Sousa. O projeto visa suprir necessidades sociais e espirituais. Nesse empenho o conselho resolveu fazer da Igreja Presbiteriana de Sousa parceira colaborada desse projeto que além de irmãos de nossa IPB conta com irmãos de outras denominações da cidade.
Equipes de voluntários estão sendo montadas para levar assistência aos mais necessitados. Aqueles irmãos que se sentirem tocados podem buscar informações junto ao irmão Sidney através do email (medeirossidney@hotmail.com). O projeto precisa de serviço voluntário de médicos, enfermeiros, odontólogos, advogados, professores, contadores, cozinheiras, cabeleireiros, conselheiros, pastores e etc. Além de doações de roupas, remédios e gêneros alimentícios.
As doações de roupas, remédios e gêneros alimentícios podem ser feitas em suas igrejas através da Junta Diaconal e depois serem enviadas para Igreja Presbiteriana de Sousa. A primeira etapa dessa atividade será no dia 21 de Abril às 07h00min da manhã no referido bairro. Haverá um dia de mutirão social e evangelização.
Mais informações podem ser tomadas nos seguintes emails:
pbfrancisco.ipbsousa@gmail.com
ipbsousa@ig.com.b
moisesipb@hotmail.com
Por Pr. Clodoaldo Brunet

A Hora de Despertar!




A importância do trabalho missionário é amplamente confessada pela maioria dos pastores de formação evangélica. Pregar o evangelho a todas as nações é considerado uma das principais atividades da igreja de Cristo sobre a terra. Contudo, a prática ministerial de alguns parece refletir a convicção de Juan Carlos Ortiz de que pastores não geram ovelhas, apenas as alimenta; ovelha é quem gera ovelha...
De acordo com esta perspectiva, o envolvimento no trabalho missionário é uma responsabilidade que se limita aos membros da igreja local. Todavia, aqueles que pensam que o envolvimento missionário é responsabilidade apenas das ovelhas nunca devem se esquecer de que eles também são ovelhas do Supremo Pastor.
Uma vez que a igreja local é orientada, discipulada e motivada por sua liderança, especialmente pelo pastor, a falta de comprometimento dos líderes com o desperta- mento missionário de suas comunidades resulta em sérios prejuízos para a seara do mestre. Quando os pastores negligenciam a responsabilidade de motivar suas igrejas em prol da obra missionária esta tarefa é relegada as agencias missionárias. Embora, essas agencias se esforcem por realizar um trabalho a contento, o fato é que elas não o conseguem, pois, sempre estão muitos distantes das igrejas locais e sua contribuição mais valiosa é facilitar o ingresso do missionário no campo. A motivação missionária, a formação, o pastoreio dos obreiros e o sustento dos mesmos estão intimamente conectados à igreja local. O fato é que há uma geração de missionários retornando do campo por ter atingido a idade da aposentadoria e os candidatos a substituí-los são poucos, alguns despreparados e outros sem as condições financeiras, pois “missões” não faz parte dos temas freqüentemente abordados nos púlpitos das igrejas locais.
Outro problema com a negligencia dos pastores em motivar suas igrejas para a obra missionária está relacionado ao que ocorre com a própria vizinhança dessas igrejas. Normalmente aqueles que não são desafiados ao envolvimento missionário não conseguem alcançar os que moram ao seu redor. A freqüência dessas igrejas, no geral, consiste de membros, que moram em áreas mais afastadas, que dependem de veículos para sua locomoção ao templo e não daqueles que moram na vizinhança e poderiam vir a pé. Além de resultar em um acumulo de veículos no estacionamento de igreja, este quadro revela que algumas comunidades não possuem olhos nem para os que estão ao seu lado! Além do mais, essa atitude alimenta a convicção de que missões só podem ser realizadas por aqueles que cruzam os oceanos e nunca por aqueles que se dispõem a cruzar a rua para falar de Cristo para o próximo. Pior ainda, o descaso da liderança eclesiástica com a prática missionária transmite a mensagem de que esta atividade é secundária que só deve ser lembrada uma vez por ano e que somente algumas pessoas “anormais” se interessam por ela.
O fato é que o envolvimento de um pastor com atividade missionária da igreja depende de sua teologia sobre Deus e de sua perspectiva sobre o ser humano. Além do mais, o entendimento dessas áreas está sujeito ao conhecimento bíblico que esse pastor possui. Poe exemplo, a revelação bíblica sobre Deus é que ele é absolutamente soberano, sábio e comprometido com a criação. A mensagem missionária teve sua iniciativa no próprio Deus que amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho ( Jo 3.16). Dessa forma qualquer pastor que tem sua prática ministerial fundamentada na revelação bíblica de Deus invariavelmente será comprometido com o mundo de Deus, sua obra redentora e sua mensagem salvadora. De certa forma, toda negligência a atividade missionária pode estar vinculada a uma teologia errônea.
O comprometimento com a atividade missionária da igreja ainda depende da compreensão que a pessoa tem sobre o ser humano. O ensino bíblico nesse caso é que o homem é pecador, destituído da glória de Deus, condenado à perdição eterna se não se arrepender dos seus pecados e se não crer em Cristo como seu único Salvador. Paulo, em seu ministério apostólico, afirmava esforçar-se para anunciar o evangelho a fim de que as pessoas se convertessem das coisas vãs e se voltassem para o Deus vivo (At 14.15). O homem sem Deus é considerado filho da ira e está sem esperança de Deus no mundo (Ef 2.12). Somente a mensagem do evangelho é poderosa para transformar “filhos da ira” em “filhos de Deus”. Logo, qualquer pastor que tiver uma perspectiva correta sobre a humanidade estará comprometido com o anúncio do evangelho e a prática missionária da igreja cristã.
O que um pastor poderia fazer para se envolver com missões? Primeiramente ele poderia manter uma agenda sistemática de intercessão pela obra missionária. Há várias informações sobre os povos não-alcançados, sobre campos missionários e, especialmente, sobre o contexto no qual o próprio Deus o colocou como pastor. Assim, o vínculo criado pela intercessão logo será transmitido em suas conversas, sermões e atitudes em geral. Depois, ele pode manter o compromisso de pregar periodicamente sobre o assunto.
A bíblia está repleta de subsídios a e esse respeito. Há textos que indica a importância da prática missionária, outros desafiam a um maior envolvimento e ainda outros descrevem as bênçãos advindas desse comprometimento. Quando a igreja ouve o seu pastor pregando periodicamente sobre um assunto ela se convence de que o mesmo é importante!
Extraiido do Brasil Presbiteriano
Rev. Valdeci da Silva Santos

sexta-feira, 26 de março de 2010

A TUA PALAVRA É A VERDADE: A SAGA DOS IRMÃOS MORÁVIOS


A tua palavra é a verdade: a saga dos irmãos Morávios

Alderi Souza de Matos

Existem dois grupos protestantes atuais cujas raízes mais remotas são anteriores à Reforma do Século 16: os irmãos morávios e a igreja valdense. Os valdenses tiveram suas origens em um movimento reformista iniciado por volta de 1175 por Valdès, um comerciante de Lião, no sul da França. Expulsos da igreja católica em 1184, seus simpatizantes enfrentaram heroicamente séculos de perseguição, abraçando eventualmente a Reforma Protestante. Refugiaram-se principalmente nos vales alpinos do norte da Itália, na região conhecida como Piemonte, a sudoeste de Turim. Os irmãos morávios, por sua vez, têm uma história ainda mais complexa, mas não menos inspiradora, cujos primórdios remontam à Inglaterra do final do século 14.

1. De João Wyclif a João Hus

John Wyclif (c.1325-1384) nasceu em Yorkshire, estudou na Universidade de Oxford e abraçou o sacerdócio. Na década de 1360, adquiriu grande reputação em Oxford e outros centros intelectuais como brilhante professor e escritor de filosofia. Posteriormente, tornou-se conselheiro teológico do rei e prestou serviços à coroa inglesa. Defendeu a teoria de que o poder civil tinha o direito de se apoderar das propriedades do clero corrupto. Suas opiniões foram condenadas pelo papa em 1377, mas ele teve o apoio de pessoas influentes e do povo. Após o Grande Cisma (1378), com a existência simultânea de dois papas rivais, suas idéias tornaram-se mais radicais e ele acabou por rejeitar toda a estrutura tradicional da igreja medieval. Em uma série de tratados teológicos, afirmou a autoridade suprema das Escrituras, definiu a igreja verdadeira como o conjunto dos eleitos, e questionou o papado e a transubstanciação. Além disso, incentivou a primeira tradução da Bíblia completa para a língua inglesa, concluída em 1384.

Eventualmente, Wyclif perdeu o apoio da nobreza e de muitos simpatizantes, mas viveu em paz os seus últimos anos, vindo a falecer em sua paróquia, Lutterworth, no dia 28 de dezembro de 1384. Seus seguidores, conhecidos como lolardos, foram duramente reprimidos nas décadas seguintes. Ensinavam que a missão principal de um sacerdote era pregar as Escrituras e que a Bíblia devia ser acessível a todos nas várias línguas vulgares. Essas idéias contribuiriam para a ampla aceitação da Reforma Protestante pelos ingleses no século 16.

No século 14, a Boêmia (Tchecoslováquia) fazia parte do Sacro Império Germânico. Politicamente, o país estava dividido por conflitos entre os tchecos e a comunidade imigrante alemã, mais poderosa. Em 1382, a Boêmia, até então pouco ligada à Inglaterra, aproximou-se deste país através do casamento de uma princesa tcheca com o rei Ricardo II. Jovens tchecos passaram a estudar em Oxford e conheceram as doutrinas de Wyclif, que logo levaram para a sua terra, especialmente para a Universidade de Praga, fundada em 1348. Entre os professores que abraçaram muitas idéias de Wyclif estava o ardoroso Jan Hus (c. 1373-1415).

Hus nasceu na vila de Husinec, estudou na Universidade de Praga e foi ordenado sacerdote em 1400. Pouco antes da ordenação teve uma experiência de conversão através do estudo da Bíblia e se tornou um zeloso defensor de reformas eclesiásticas. Além de lecionar na universidade, em 1402 foi nomeado pregador da Capela de Belém, o centro do movimento reformista checo, alcançando enorme popularidade através de suas pregações. Como João Wyclif, ele ensinava que a igreja verdadeira consiste somente dos eleitos, dos quais o cabeça é Cristo, e não o papa. Embora defendesse a autoridade tradicional do clero, Hus afirmava que somente Deus podia perdoar pecados. Acreditava que nem o papa nem os cardeais podiam estabelecer como autêntica uma doutrina que fosse contrária à Escritura, e que nenhum cristão devia obedecer às suas ordens quando estas se revelassem abertamente errôneas. Dizia que a igreja devia ter uma vida de simplicidade e pobreza, à semelhança de Cristo. A única lei da igreja era a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, daí a grande importância da pregação. Condenou a corrupção do clero, a adoração de imagens, os falsos milagres, as peregrinações supersticiosas e a venda das indulgências, mas manteve a transubstanciação.

A partir de 1410, as autoridades eclesiásticas e seculares começaram a tomar medidas drásticas contra os wyclifitas. Apesar de ser altamente estimado pelo povo, Hus foi excomungado e seguiu para o exílio no sul da Boêmia, onde escreveu sua principal obra, De Ecclesia (Sobre a Igreja). Munido de um salvo-conduto fornecido pelo imperador alemão Sigismundo, compareceu ao célebre Concílio de Constança (1414-1418), no sul da Alemanha, a fim de justificar as suas posições. Em 4 de maio de 1415, o concílio condenou formalmente João Wyclif como herege e ordenou que o seu corpo fosse retirado da terra consagrada (essa ordem só seria cumprida em 1428). Hus, considerado por todos um wyclifita, recusou-se firmemente a abjurar as suas idéias. No dia 6 de julho de 1415 foi sentenciado pelo concílio e queimado na fogueira, enfrentando a morte com grande coragem e dignidade.

2. A Unitas Fratrum e os Irmãos Morávios

A notícia da morte de Hus produziu grande revolta na Boêmia, que seria agravada pela condenação do seu amigo e colega Jerônimo de Praga, também levado à fogueira pelo Concílio de Constança, em 30 de maio de 1416. Outra fonte de protestos foi a proibição, pelo mesmo concílio, da ministração do cálice da Ceia aos leigos, prática que havia se tornado o símbolo do movimento hussita. Surgiram duas facções no movimento: um partido moderado e aristocrático, sediado em Praga, conhecido como utraquistas (referência à comunhão sub utraque, isto é, “em ambas” as espécies) ou calixtinos (do latim calix = cálice), e um partido radical, popular, os taboritas (de Tábor, a sua fortaleza). Os primeiros rejeitaram somente as práticas que consideravam proibidas pela “lei de Deus”, a Bíblia, ao passo que os taboritas repudiavam todas as práticas não sancionadas expressamente pelas Escrituras.Após um período de conflitos, as duas facções se uniram em 1420, adotando uma agenda religiosa comum, “Os Quatro Artigos de Praga”, que exigiam a livre pregação da Palavra de Deus, o cálice para os leigos, a pobreza apostólica e uma vida de austeridade para clérigos e leigos. Durante alguns anos, eles envolveram-se em várias guerras vitoriosas contra os seus adversários. Uma tentativa de acordo com a igreja católica produziu novas lutas internas, sendo os taboritas derrotados pelos utraquistas em 1434, na batalha de Lipany. Fracassado o acordo com o catolicismo, os utraquistas tornaram-se um grupo religioso autônomo, cuja plena paridade com os católicos foi declarada pelo Parlamento da Boêmia em 1485. Alguns anos antes, em 1457, havia surgido a Unitas Fratrum (Unidade dos Irmãos Boêmios), reunindo elementos taboritas, utraquistas e valdenses. Essa igreja absorveu o que havia de mais vital no movimento hussita e se tornou a precursora dos irmãos morávios.

Com o advento da Reforma, os “irmãos unidos” abraçaram o protestantismo. Nessa época, eles contavam com cerca de 400 igrejas locais e 150 a 200 mil membros na Boêmia e na vizinha Morávia. Expulsos de sua pátria durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), espalharam-se por diversas regiões da Europa e perderam muitos adeptos. Um ano especialmente amargo foi 1621, quando quinze irmãos foram decapitados no “dia de sangue”, muitos crentes foram mandados para as minas ou masmorras, igrejas foram fechadas, escolas destruídas, Bíblias, hinários e catecismos foram queimados. Os poucos remanescentes continuaram a realizar as suas funções religiosas em segredo e a orar pelo renascimento da sua igreja. Um importante líder nesse período aflitivo foi o notável pastor e educador Jan Amos Comenius (1592-1672), eleito bispo dos irmãos morávios em 1632.

3. O Conde Zinzendorf e Herrnhut

Em 1722, sobreviventes dos irmãos unidos que falavam alemão, residentes no norte da Morávia, começaram a buscar refúgio na vizinha Saxônia, sob a liderança de um carpinteiro, Christian David. O jovem conde Nikolaus Ludwig von Zinzendorf (1700-1760) permitiu que eles fundassem uma vila em sua propriedade de Berthelsdorf, cerca de 110 km a leste de Dresden. Zinzendorf era fruto do pietismo, um influente movimento que havia surgido recentemente no luteranismo alemão. Esse movimento teve como líderes iniciais Phillip Jacob Spener (1635-1705) e August Hermann Francke (1663-1727), sendo seu principal centro de atividade a cidade de Halle, também na Saxônia, a terra de Martinho Lutero. Os pietistas davam grande ênfase à devoção, à experiência e aos sentimentos, em contraste com a ortodoxia, credos e rituais. Também valorizavam a conversão pessoal, o sacerdócio universal dos crentes, o estudo das Escrituras, os pequenos grupos para comunhão e auxílio mútuo, e um cristianismo prático voltado para educação, missões e beneficência.Nascido em uma família aristocrática, Zinzendorf recebeu uma educação pietista em Halle dos dez aos dezessete anos. Desde a infância revelou uma intensa devoção pessoal a Cristo e mesmo depois de ingressar no serviço público, em 1721, continuou a ter como interesse predominante o cultivo da “religião do coração”. Foi então que entrou em contato com os morávios. A vila que estes fundaram em sua propriedade recebeu o nome de Herrnhut (“a vigília do Senhor”). A comunidade cresceu e logo se uniram a ela muitos pietistas alemães e outros entusiastas religiosos. Inicialmente Zinzendorf lhes deu pouca atenção, mas em 1727 começou a assumir a liderança espiritual do grupo. Superadas algumas divisões iniciais, no dia 13 de agosto de 1727 foi realizado um marcante culto de comunhão que veio a ser considerado o renascimento da antiga Unitas Fratrum, a Igreja Morávia renovada. A partir de então, Herrnhut tornou-se uma disciplinada e fervorosa comunidade cristã, um corpo de soldados de Cristo ansioso em promover a sua causa no país e no exterior.Embora Zinzendorf desejasse que os morávios permanecessem como membros da igreja estatal da Saxônia (luterana), gradualmente eles formaram uma igreja separada. Em 1745 a Igreja Morávia já estava plenamente organizada com seus bispos, presbíteros e diáconos, embora seu governo fosse, e ainda seja, mais presbiteriano que episcopal. A essa altura o moravianismo estava criando uma liturgia de grande beleza e uma rica tradição hinológica. A Igreja Morávia restaurada permaneceu pequena, mas sua influência se fez sentir em toda a Europa. Seus primeiros bispos foram David Nitschmann (1735) e o próprio Zinzendorf (1737), que após uma vida de intensa atividade missionária e pastoral na Europa e na América do Norte faleceu em Herrnhut em 1760. Certa vez ele havia declarado, referindo-se a Cristo: “Eu tenho uma paixão; é ele e ele somente”.

4. Até aos confins da terra

Com o seu zelo por Cristo, os morávios escreveram uma das páginas mais nobres das missões cristãs em todos os tempos. Nenhum grupo protestante teve maior consciência do dever missionário e nenhum demonstrou tamanha consagração a esse serviço em proporção ao número de seus membros. Numa viagem a Copenhague para assistir a coroação do rei dinamarquês Cristiano VI, Zinzendorf conheceu alguns nativos das Índias Ocidentais e da Groenlândia. Regressou a Herrnhut cheio de fervor missionário e, em conseqüência disso, Leonhard Dober e David Nitschmann iniciaram uma missão aos escravos africanos em St. Thomas, nas Ilhas Virgens, em 1732, e Christian David e outros seguiram para a Groenlândia no ano seguinte.

Em 1734, um grupo liderado por August Gottlieb Spangenberg (1704-1792) começou a trabalhar na Geórgia. No Natal de 1741, o próprio Zinzendorf visitou a América e deu o nome de Bethlehem (Belém) à colônia que os morávios da Geórgia estavam criando na Pensilvânia. Essa cidade se tornaria a sede americana do movimento. O mais famoso missionário morávio aos índios norte-americanos foi David Zeisberger (1721-1808), que trabalhou entre os creeks da Geórgia a partir de 1740 e entre os iroqueses desde 1743 até a sua morte.Herrnhut tornou-se um centro de atividade missionária, iniciando missões no Suriname, Costa do Ouro, África do Sul, Argélia, Guiana, Jamaica, Antigua e outros locais. Em 1748, foi iniciada uma missão aos judeus em Amsterdã. Até 1760, o ano da morte de Zinzendorf, os morávios haviam enviado 226 missionários a dez países e cerca de 3000 mil conversos tinham sido batizados. Outros locais alcançados posteriormente foram Egito, Labrador, Espanha, Ceilão, Romênia e Constantinopla. Em 1832, havia 42 estações missionárias morávias ao redor do mundo. Os nomes dos primeiros campos missionários mostram uma característica do trabalho morávio: eram em geral locais difíceis e inóspitos, exigindo uma paciência e dedicação toda especial, traço que até hoje caracteriza o trabalho missionário desse grupo.

Conclusão

Com seu heroísmo, apego às Escrituras e consagração a Deus, os irmãos morávios, embora pouco numerosos, exerceram uma forte influência espiritual sobre outros grupos e movimentos protestantes, especialmente na Inglaterra. A convivência com alguns morávios causou profundo impacto em João Wesley e contribuiu para a sua conversão e o surgimento do metodismo. William Carey, o pioneiro das missões batistas, os admirava grandemente e apelou para o seu exemplo de obediência. Eles também inspiraram a criação de duas das primeiras agências protestantes de missões – a Sociedade Missionária de Londres (1795) e a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (1804). Assim completou-se um ciclo extraordinário: a obra do pré-reformador inglês João Wyclif contribuiu para o surgimento dos morávios e, séculos depois, estes foram uma bênção para a Inglaterra e, por meio dela, para muitos outros povos.

Perguntas para reflexão:

1. Muitos movimentos de renovação do cristianismo começaram com um retorno às Escrituras. Por quê?

2. Por que razões os movimentos de João Wyclif e João Hus foram tão influentes?

3. Que relação existe entre os avivamentos espirituais e missões?

4. Por que motivos os morávios, sendo tão poucos em número, tiveram um impacto tão profundo nas missões cristãs?

5. Que lições podem ser tiradas do intenso envolvimento dos morávios com a causa missionária?

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